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DE BOCAGE A BOM CONSELHO - A emenda saiu pior do que o soneto


Os indivíduos – excetuando os santos e os humildes de coração – já perderam as rédeas do bom senso, ignorando a sabedoria budista que reza que “o melhor caminho é o do meio”, ou seja, o do equilíbrio. 

Muitas vezes acabamos falando mais do que devemos, ou cometemos uma ação impensada, vindo depois aquele peso na consciência e sentimos que é preciso consertar o malfeito, mas a emenda esfarrapada deixa-nos numa posição ainda pior, pois, como dizia a minha avó “merda quanto mais mexe mais fede”.

A expressão “A emenda saiu pior do que o soneto” nasceu, contam alguns, quando o poeta português Manuel Maria Barbosa de Bocage recebeu um soneto de um jovem que lhe pediu que marcasse os erros com cruzes. 

Contudo, havia tantos erros na escrita do mancebo que Bocage, depois de ler o soneto, devolveu-o tal e qual o recebeu, ou seja, nenhuma cruzinha estava ali a enfeitar a página do não promissor poeta. 

Ainda incrédulo, imaginando-se o suprassumo da última flor do Lácio, o jovem questionou o velho poeta, provavelmente esperando que o incensasse. Como não se deve cutucar a fera com vara curta,  não tardou ele a receber a justificativa do poetaço que as cruzes seriam tantas, se ali postadas, que “a emenda ficaria pior do que o soneto”.

O fato é que a expressão caiu na boca do mundo, viajou no tempo, chegando aos dias de hoje com força total.

Bocage era um exímio sonetista e fazia-os como ninguém e, por isso, acabou ficando muito popular, principalmente quando usava sua veia satírica e espirituosa, daí a sua exigência para com o soneto do frustrado lusitano. 

 por LuDiasBH

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