CONHECENDO AS BELEZAS NATURAIS DO SÍTIO RIACHO DA LUÍZA DE VENTUROSA/PE (PARTE III) - CLÁUDIO ANDRÉ - O POETA

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domingo, 12 de agosto de 2018

CONHECENDO AS BELEZAS NATURAIS DO SÍTIO RIACHO DA LUÍZA DE VENTUROSA/PE (PARTE III)

Na superfície da terra, as rochas sofrem a ação de diversos fatores, como o calor, frio, chuva, vento, neve e gelo. Durante milhares de anos, uma rocha vai se partindo em pedaços e vão ficando cada vez menores e sendo arrastados para outros lugares. 


De cima da serra do Letreiro tivemos essa vista panorâmica. A frente visualizamos um conjunto de serras, todas com os mais variados tipos de rochas. Então, esses pequenos fragmentos vão se acumulando, se apertando e se depositando uns sob os outros, formando novas rochas que, por serem constituídas por sedimentos acumulados, recebem o nome de Rochas Sedimentares. 


O lajedo do Urubu é uma rocha sedimentar. Esse tipo de rocha compreende 80% da superfície dos continentes, ou seja, um dia esse lugar foi fundo do mar.

Depois de escalar por dentro do mato a subida da serra do Letreiro, ao a gente pode ver a serra de Padre Basto. Essa região serrana do município de Venturosa, que antes chama-se Vila Boa Sorte, mas, que pertencia a Província de Buíque, tem em relatos históricos que comprovam a influência de fazendeiros sobre os escravos que vieram na época.

No meio dessa vegetação de caatinga, segundo moradores, já encontraram botijas e túmulos com restos mortais, há poucos metros da serra do Letreiro.

Há evidências de que os grandes fazendeiros dessa parte do agreste pernambucano, especialmente na região do Riacho da Luiza, Boqueirão e Ouro Branco,  eram possuidores de escravos. 
Em documentos históricos do município de Venturosa, tem como fazendeiro citado, João Antunes Bezerra, quando  em uma das suas fazendas foi encontrado o registro de uma escrava chamada Faustina, sem profissão, matriculada sob o número 805 no registro geral do município de Buíque e que pertenciam às órfãs Maria e Santina feita pelo tutor das mesmas, o senhor Aniceto Antunes Bezerra.

A partir que esse blogueiro foi fotografando os espaços que a vegetação proporcionava durante a trilha, rumo a serra do Letreiro, relatos históricos foram sendo repassados por moradores dessa região. Entre os relatos, consta que uma escrava tinha uma criança de colo de cor parda, do sexo feminino, batizada por Maria. Esse documento foi registrado na Província de Pernambuco, Município de Buíque, Paróquia de Pedra em 30 de outubro de 1873. Nesse período, Venturosa era apenas uma vila.

Essa vegetação que você ver nessa foto que eu registrei, está na rota de uma das fazendas que outrora fez parte do mata da escravidão. Embora poucos tenham conhecimento disso, durante o século XIX a maioria dos escravos pernambucanos não estava na Zona da Mata, mas, no Sertão e no Agreste intermediário e, quase dois terços destes, pertenciam a senhores que tinham entre 10 e 20 escravos.


O lajedo da Luiza, na zona rural de Venturosa, que está entre serras, serrotes, vales e riachos, mostra que a chuva que caiu nos anos de 2017 e 2018, não foram suficientes para o plantio, muito menos para o consumo humano. A vegetação dos sítios que ficam no entorno do Riacho da Luíza, começam a mudar de cor, não por que a primavera está para começar, mas, pelas altas temperaturas que começaram a ficar fixa. Comumente, toda essa região tem temperaturas elevadas em boa parte dos meses do ano. 

Na minha passagem pelo Riacho da Luiza, conheci o senhor Zé Bento e o filho, Gui, moradores da região. Foi com eles que fizemos uma trilha no meio da caatinga para descobrir os mistérios do local. Como citei em outras postagens, foi uma caminhada que durou aproximadamente 04 horas, entre ida e volta. Nesse percusso rumo a pedra do Letreiro, onde tem marcas visíveis do homem pré-histórico e de ações por índios que habitaram a região há milhões de anos.

Entre cactos e uma variedade de árvores, tipo, coqueiros, umburanas de cheiro, angicos, catingueiras, cipós, pudemos observar que os rios São Francisco e Parnaíba são fundamentais para a vida desse bioma. Eles nascem em outros lugares, mas cruzam a Caatinga por terrenos quentes e secos.
Pelo meio da caatinga, encontrei uma planta chama de mutamba muito popular no mundo da medicina alternativa. Seus poderes de cura estão presentes em suas cascas e frutos.
A planta, também conhecida por embira vermelha, embireira ou embirú, tem propriedades medicinais ótimas para o organismo. De quebra, ela ainda é usada em diversos tratamentos estéticos.
A bebida feita a partir das sementes de mutamba esmagadas e misturadas com água ajuda a tratar problemas como diarreia, gripe, resfriado, tosse e febre.


Apesar das condições severas, é possível encontrar uma diversidade de ambientes na Caatinga. A flora é uma resposta à variação na disponibilidade de água e nutrientes, formando um mosaico de diferentes tipos de vegetação adaptada ao tipo de solo e a disponibilidade de água. A fauna é bastante diversificada, sendo representada por muitas espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes, dentre outros.

 
Nesse tour pela região do sítio Riacho da Luíza, descobrimos e aprendemos muita coisa, por exemplo, os solos desse bioma chamado de caatinga possuem alta variabilidade, com maior ou menor capacidade de reter as chuvas. A quantidade de nutrientes é influenciada pelas mesmas características que influenciam a retenção de água. 

Próximo a serra do Letreiro, descobrimos os mistérios e mal-assombros que rondam por lá. Até botija já foi encontrada nesse local.
Os solos mais argilosos retêm mais água e nutrientes, já os de textura mais arenosa tem pouca capacidade de retenção. Fragmentos de rochas são frequentes na superfície, resultando em um solo com aspecto pedregoso.

Na próxima e última parte dessa série de reportagens sobre as belezas naturais do Riacho da Luiza, zona rural de Venturosa, você conhecerá as pinturas rupestres existentes na serra do Letreiro.

Aguardem!

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