Você conhece o povoado de Santiago, zona rural de Pão de Açúcar/AL?

 

Essa é a igreja de Nossa Senhora Auxiliadora do povoado Santiago, zona rural do município de Pão de Açúcar, sertão de Alagoas. Esse templo construído no ano de 1998 pelo padre Petrúcio juntamente com a comunidade.

O povoado de Santiago fica as margens do rio São Francisco é um dos mais tradicionais de Pão de Açúcar/AL. A localização da comunidade é privilegiada de frente para a comunidade indígena Xocó. O que apenas divide as comunidades é o rio.

A comunidade do Santiago tem um grande zelo pela igreja de  Nossa Senhora Auxiliadora, padroeira do referido povoado.

Ainda era possível, até o início de 1990, ver carros de boi transportando a produção agrícola dos moradores e algumas rezadeiras (benzedeiras) espantando o “mau olhado” e curando a “espinhela caída” e outras doenças da crença popular, que atingiam as crianças e os adultos das comunidades rurais e das periferias da cidade.
Oratório da igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, construída na década de 90. O povoado de Santiago fica distante do centro da cidade de Pão de Açúcar, aproximados 15 km.

A padroeira da comunidade é Nossa Senhora Auxiliadora, comemorada com muita festa em um dos finais de semana do mês de janeiro. E a tradicional bandinha de pífanos, um dos folclores da localidade, sempre se apresentava com seus instrumentos rústicos durante o dia inteiro na calçada da igreja. À noite, em um salão, um bom sanfoneiro promovia o forró pé de serra para os participantes da festa.

O Povoado Santiago, localizado à margem do Velho Chico, é um dos mais tradicionais do município de Pão de Açúcar, nas Alagoas. Sua localização privilegiada oferece uma vista panorâmica de rara beleza, onde moradores e visitantes podem contemplar o rio São Francisco e a Ilha de São Pedro, onde está localizada a aldeia dos índios da tribo Xocó. 

No povoado de Santiago existia, também, uma lagoa que sustentava os moradores com a grande produção de arroz. Nesta época, grandes quantidades de peixes das diversas espécies eram pescadas no rio e na lagoa. 

A “Lagoa de Santiago” hoje não mais existe por causa da construção da Barragem de Xingó, no período de 1987 a 1994. Os cardumes e os pescadores locais também desapareceram.

Com a chegada das coisas modernas, desapareceram a bandinha de pífanos e o forró pé de serra, dando lugar às bandas urbanizadas.

Até o início dos anos de 1980, um tipo de cadeira artesanal, conhecida como “puta ligeira” era fabricada pelos artesãos Luiz Estevão e Antônio Ferreira, velhos conhecidos moradores da localidade. Durante a confecção das “putas ligeiras” eles contavam muitas histórias que fazem parte das lendas e mistérios do sertão. 

Durante longos anos, na época em que a produção de arroz era abundante no povoado Santiago e o prato preferido dos moradores era o rubacão, conhecido popularmente como “arribação”, uma mistura de arroz e feijão que, levada ao fogo, resulta numa saborosa comida. Este prato era servido com carne guisada (galinha de capoeira, boi, porco) e farofa amarela feita de caldo de carne. 

Próximo a chegada do povoado Santiago, há um córrego que jorra água para o Velho Chico e devido a presença de peixes pequenos, as garças fazem a festa por que devido a pouca profundidade, torna-se fácil as aves pescar também.

Claudio André O Poeta (documentarista) e o George Barbosa (artesão)

Conta a história...

Dentre as dezenas de casas do lugarejo, duas tornaram-se famosas por servirem rubacão aos visitantes: a de Cícero Alves Carvalho, conhecido como “Cícero de Oseias”, e a de Antônia Rosa, conhecida popularmente como “Tonha Rosa”. 

Nos dias de festas, principalmente estas duas casas eram muito visitadas, uma espécie de parada obrigatória para refeições gratuitas das pessoas que chegavam para participar da festa. "Cícero de Oseias" é o principal líder comunitário do lugarejo há muitos anos.

As ruas despidas de Santiago guardavam a simplicidade dos moradores, principalmente os mais antigos, a exemplo do saudoso Oseias Vieira Melo, que veio a falecer beirando os cem anos deidade. 

“Seu Oséias”, como era conhecido, costumava varrer a área onde fica localizada a igreja local e, ainda, gostava de limpar um estreito caminho de acesso à beira do rio, no porto da “Manchica”, cujo nome deve ter sido uma alusão a "Mãe Chica" ou “Mãe Francisca”, provavelmente uma antiga moradora ou proprietária de terras do Povoado. 

E na época em que não existia água encanada na comunidade, este ancião transportava água do rio para sua casa, carregando latas d`água na cabeça. As atividades desenvolvidas por Oséias Vieira Melo deram a ele o privilégio da longevidade.

Claudio André O Poeta visitando a região do povoado Santiago de Pão de Açúcar/AL

O Povoado Santiago foi rota de Lampião e seus cabras, pois era deste lugarejo que o “Rei do Cangaço” cruzava o Velho Chico em direção à fazenda da família Brito, localizada no lado sergipano.

Rio Farias do Meio, um dos afluentes do Velho Chico

O rio Farias do Meio no tempo de cheias emboca no rio São Francisco. Nesse trecho, é comum encontrar capivaras, veados campestres e outros animais se utilizando da água desse importante afluente da bacia do Velho Chico.

Vejam que o poder público local sinaliza identificando cada comunidade da zona rural do município de Pão de Açúcar.

Outras histórias...

Dizia a saudosa Clotildes Alves Carvalho, “Sinhá Clotilde de Quinho”, uma moradora da comunidade, que Lampião ao vê-la correndo, gestante, com medo dos cangaceiros, os quais chegaram ao lugarejo, quando de uma viagem a um dos coitos em Sergipe, foi logo exclamando em tom de admiração: 

“Pra onde vai aquela moça correndo com aquele bucho de piaba?” (o temível Virgulino Ferreira da Silva fazia referência ao avançado estado de gestação da moradora, que era filha do fazendeiro “Seu Quinho”, um dos coiteiros de Lampião, nesta região ribeirinha.

Textos: Hélio Fialho - radialista e pesquisador

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