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CENÁRIOS DA GUERRA DE CANUDOS CONTAM A HISTÓRIA PASSO A PASSO

Esse painel feito de azulejo que demonstra a real localização do visitante no parque estadual de Canudos, revela ao mesmo tempo, uma obra de arte de Trípoli Gaudenzi e o imaginário se aflora mais ainda por você estar no exato local que serviu de base da Força Armada em sua quarta expedição em que veio do estado do Rio de Janeiro no ano de 1897, cinquenta por cento do Exército Brasileiro (mais de 10 mil soldados), bem equipados com canhões e granadas. 

Do alto da Favela temos uma vista muito bonita da antiga Canudos submergida pelas águas do açude Cocorobó“O termo favela inicialmente referia-se, no século XIX, a uma árvore muito comum na Bahia

O governo havia prometido aos soldados do Rio de Janeiro que estavam na Guerra de Canudos (1895 – 1896) entregar-lhes residências caso saíssem vitoriosos do conflito.


Ao retornarem em 1897 e verem a promessa não ser cumprida, os soldados se apropriaram da região de um morro que passou, a partir daí, a ser chamado de Morro da Providência (a primeira favela do Brasil), em referência à providência tomada pelos soldados.” 




 Conhecendo como eram as Trincheiras Conselheiristas

As Trincheiras Conselheiristas são buracos de um metro e meio onde ficavam os conselheiristas, esperando as tropas do exército que muitas das vezes não sabiam de onde viam os tiros e começavam a tirar a esmo ao ver os colegas sendo mortos pelos conselheiristas, pois eles tinha vista privilegiada da aproximação dos policiais do Exército, por isso perderam por três vezes consecutivas as investidas.

 Conhecendo a Chapada dos Equívocos


Na chapada dos Equívocos, você se depara com uma belíssima exposição fotográficas de Trípoli Gaudenzi, que simbolizam o início do conflito. Ao fundo, no horizonte, temos as Serras dos Angicos, local onde morre Tamarindo, o segundo oficial que veio com Moreira César na terceira expedição. 

Nesse dia o sol não estava escaldante, mas o mormaço (céu parcialmente nublado), de 33 graus, fez-nos parar em uma pequena cobertura de palhoça, tomar água e iniciar a leitura do livro "De Quixeramobim a Belo Monte - Olhares sobre Antônio Conselheiro".

Diz o livro:

Um fato curioso é que Tamarindo veio com a intenção de destruir o Arraial de Canudos prometendo cortar a cabeça de vários conselheiristas, mas ao ser perseguido pelos sertanejos, ele abandona sua tropa e pronuncia uma frase emblemática: 

”É tempo de murici, cada um cuida de si.” Tamarindo foi morto pelos Conselheiristas e sua cabeça pendurada numa árvore.


Como falei em reportagens passadas, esse é o famoso Quipá, cacto nativo da caatinga, que segundo relatos históricos, Lampião, ao enfrentar a volante da Paraíba, no sertão do Pajeú, um tiro que acertou a folha do "Quipá", fez voar pedaços de espinhos e um deles atingiu uma das córneas de Virgulino, deixando-o cego de um olho.

O Vale da Degola pode ser visto desse local chamado de Alto da Favela, que segundo relatos históricos, foram degolados cerca de 400 conselheiristas, que não juravam um Viva a República, bem como pessoas que eram fiéis a Antônio Conselheiro. Todas foram degoladas, inclusive mulheres. Como já citei posteriormente, é cenário de Guerra, o parque estadual de Canudos.

Hospital de Sangue

Esse local foi onde os militares feridos eram cuidados pelos enfermeiros que acompanhavam as tropas do exercito na época. Já os conselheiristas, buscavam a cura nas plantas medicinas que existiam na época, como também eram cuidados por Manoel Quadrado, um enfermeiro caseiro. Nesse local foi  encontrado com ajuda de Dona Isabel Oliveira, que era uma moradora do parque, vários vestígios hospitalar como seringas e outros materiais.

Quando você passa por esse portal do Parque Estadual de Canudos, você mergulha na história da guerra mais sangrenta da época republicana do Brasil e a situação que mais se assemelha ao Brasil atual. A pessoa se sente um personagem vivo da história. Uma coisa é você ver por livros, outra,  é estar ao vivo nos cenários.

O meteorito do Bendegó foi encontrado em 1784 pelo menino Domingos da Motta Botelho, que pastoreava o gado em uma fazenda próxima à atual cidade de Monte Santo, no sertão da Bahia, por isso esse local ficou com esse nome.

Foi nesse riacho que foi encontrado 
meteorito do Bendegóem 1784 no sertão do estado da Bahia, região da atual cidade de Monte Santo, hoje, Canudos.


Mirante ou Serra do Conselheiro

Como tudo não são flores o tempo todo, me deparei nesse cenário, na serra do Conselheiro - um mirante em um serrote com vista para a cidade de Canudos e para o açude do Cocorobó, com muito abandono e sujeira, até fezes tinha no pé do monumento de Antônio Conselheiro.

Desse ponto temos uma vista panorâmica de Canudos. segundo informações, neste local funcionava um projeto de audiovisual do município e tem até chuveiros com água morna para uso público, porém, mesmo em tempo de pandemia, o abandono a esse atrativo turístico está bem visível. A escadaria cheia de mato, a parte que os veículos sobem, cheio de pedras de paralelepípedo soltas, o calçamento afundando, sem sinalização, quebra-molas pela metade. Isso é sinal que o poder público de Canudos abandonou esse ponto turístico da cidade.

Essa capela fica no mirante onde está o monumento de Antônio Conselheiro e serve para celebrações religiosas na cidade. No dia que fui, o único restaurante que estava aberto não estava funcionando. Encontrei muito lixo acumulado, jogado no decorrer da subida para o mirante. Muito lamentável que atrativos turísticos sejam tratados pelo poder público com desdém... Nota zero para a administração local.

Outeiro das Marias
Foi nesse local que um grupo de beatas rezavam durante a guerra, pra tentar acalmar o fogo.  Hoje é uma bela homenagem às mulheres que bravamente morreram na guerra.

Bom na próxima reportagem falaremos sobre outros cenários da Guerra de Canudos. Aguardem!

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