RASO DA CATARINA/BA: O BERÇO DAS ARARAS-AZUIS-DE-LEAR E AS FORMAÇÕES ROCHOSAS DE MILHARES DE ANOS - CLÁUDIO ANDRÉ - O POETA

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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

RASO DA CATARINA/BA: O BERÇO DAS ARARAS-AZUIS-DE-LEAR E AS FORMAÇÕES ROCHOSAS DE MILHARES DE ANOS

O que dizer de uma imagem dessa? É comum encontrar no Raso da Catarina, no norte baiano, formações rochosas desse tipo. O Raso está inserido no clima semiárido, na região mais seca de todo o estado da Bahia, que está submetida aos rigores de um clima onde as temperaturas atingem média da ordem de 27ºC, no período mais frio.

A cada trilha uma experiência, uma realidade diferenciada. Na imagem, você pode perceber que a vegetação de caatinga está verde, resultado de uma chuva rápida que passou pelo Raso da Catarina. 

Como esse trecho é uma areal, é comum encontrar nesse local em seu subsolo água detida e por isso que as plantas nativas da caatinga que tem raízes um profundas, consegue repentinamente mudar a cor do cenário.

Mas minha saga era chegar no habitat das araras-azuis-de-lear. Andei por quase um quilômetro raso a dentro para assistir a revoada desse tipo de ave, que está em extinção. Até que nesse dia o tempo estava nublado, mas somente até umas 09 horas da manhã, depois o clima esquentou com "gosto de gás", como dizem os sertanejos.

Nesse paredão rochoso de arenito com uma altura de seus aproximados 50 metros de altura, fui descobrindo as moradas das araras-azuis-de-lear. Com o bico, elas perfuram as rochas de arenito e nessas cavidades elas se produzem.

Geralmente, essas araras nesse período, saem 04 horas da madrugada para ir em busca de alimento e só retornam para o Raso da Catarina por volta das 19 horas. Como chegamos cedo, conseguimos fazer o registro de algumas que ficaram sem malocas no alto do paredão rochoso.

Mesmo muito distante consegui fazer esse registro de uma arara no alto do paredão. Essas araras tem a cor azul escuro e são muito bravas. Percebem a presença de humanos ao longe e para fotografar tem que ter uma boa lente para alcance, já que elas com qualquer som fazem avisam as outras com um ruído forte.

As araras-azuis são animais que se destacam pela beleza, tamanho e comportamento. Essa ave está atualmente ameaçada de extinção devido à caça, ao comércio clandestino e à degradação em seu habitat natural por conta do desmatamento. O tempo de vida de uma arara azul dessa é de 50 anos.
Vejam a perfeição do corte da rocha de arenito feito pelas araras. Com o bico elas conseguem fazer a própria morada. O local é de difícil acesso para que elas fiquem livres de predadores e de ação do próprio tempo. Dai percebemos o quanto elas são inteligentes.

Por esse ângulo da para perceber a dimensão dos paredões rochosos do Raso da Catarina. O que imaginamos quando estamos in loco? Que há milhões de anos o local pode ter sido um grande rio navegável. 

Os habitantes locais sobrevivem a longos períodos de seca, já que o clima seco dificulta o plantio. Uma das opções é a criação de animais resistentes ao solo como cabras e ovelhas.

Aparentando ser um território deserto, onde só brotam cactos, bromélias e imbuzeiros, uma pequena chuva é o suficiente para que a passagem acinzentada se transforma em verde. 

Nessa área localizada no nordeste da Bahia, convivem vaqueiros, sertanejos, milhares de espécies de plantas (xiques-xiques, mandacarus, coroas de frade, os facheiros, as palmatórias etc), centenas de animais pouco conhecidos (arara-azul-de-lear) e uma sociedade de índios pankararés.


A pouca disponibilidade de água levou à um vazio demográfico, mantendo uma boa preservação do bioma. Dentro desta ecorregião encontram-se diversas unidades de preservação:

Mesmo com escassez de chuva, ainda encontramos algumas espécies raras de plantas que suportam demoradas estiagens. Há propriedades rurais que conseguiram fazer poços artesianos para a subsistência. Encontrei plantação de melancia e maracujá devido a existência de áreas irrigadas.
Tradicionalmente, duas áreas atuam como dormitório das araras: a Toca Velha (patrimônio da Fundação Biodiversitas) em Canudos e a Serra Branca (propriedade particular, parte de uma fazenda que leva o mesmo nome, localizada na Área de Preservação Ambiental - APA).

Com a última chuvada que caiu no Raso da Catarina, alguns barreiros conseguiram acumular água, mas por estar barrenta, nem o gado consegue beber.

O bom da trilha é se amostrar... Mesmo em cima dessa média rocha sedimentar, ficamos encantados com a dimensão do paredão.

Parece fácil chegar até esse ponto. Foram 584 metros de subida pelo meio da caatinga. A turma de trilheiros de Paulo Afonso, encarou e escalou o monte brincando. Oh povo de uma disposição!

Quanto mais tinha vegetação e subida, mais a emoção foi maior. Olha que o caminho foi criado na hora... A grande rocha sedimentar de arenito cravado no meio do raso tornou-se um grande atrativo turístico de aventura.

Foi uma experiência incrível conhecer o início do Raso da Catarina.
Muito embora a região do Raso da Catarina, onde esta inserida a APA, sofra de escassez de água em superfície, que se restringe aos vales do São Francisco e Vaza-Barris, pode apresentar grande reserva armazenada em seu sub-solo.

O amigo trilheiro, Raimundo, se esbaldou de emoção no Raso da Catarina.

Toda a área é coberta por vegetação de caatinga, composta por cactáceas, palmeiras, bromeliáceas e outras plantas xerófitas. Entre as espécies mais comuns, destacam-se: o umbuzeiro, o angico, a aroeira, a faveleira, a catingueira e o pau-de-rato.
As imagens ficarão eternizadas. O lugar cravado na memória. Assim descrevo como foi estar no Raso da Catarina, no norte da Bahia.

Por alguns instantes agradeci... Agradeci ao Criador do Universo pela obra magnífica que fez. O Raso da Catarina é uma obra sem assinatura, onde cada um que conhece, fica deslumbrado com tanta beleza.

AGRADECIMENTOS
Agradeço aos patrocinadores desse novo trabalho que pude realizar no sertão baiano. Aos amigos, Marcos Guedes, Edézio Ferreira, Manuela da Fórmula Certa, Aluizo Bernardo, Ilton Santos e Rafaela Cordeiro, muito obrigado pelo apoio de sempre.

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