VIRGULINO FERREIRA: UM PREDESTINADO AO PERIGO, SEM PERDER SUAS HABILIDADES COTIDIANAS - CLÁUDIO ANDRÉ - O POETA

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domingo, 24 de maio de 2020

VIRGULINO FERREIRA: UM PREDESTINADO AO PERIGO, SEM PERDER SUAS HABILIDADES COTIDIANAS

Quando estivemos na casa onde nasceu e se criou Virgulino Ferreira - Lampião

A nossa proposição é relacionar determinados fatos isolados com o geral, aumentando a probabilidade dos poderes mentais estranhos ao processo que estimularia o cangaceiro Lampião à sua produção artística e suas propensão ao mundo do crime. 

Esse quadro geral que nos indica sua tendência aos numerosos perigos inerentes ao comportamento do cangaceiro e pode ser descrito como manifestação psicopatológica, com tendência para o mundo da criação artística. 

O fato de Lampião haver se afastado das mulheres, fez com que ele se ligasse às atividades femininas, ou seja, gostava de cozinhar e bordar, mantendo assim toda uma organização matriarcal; mas a casa, também parte do sonho de Lampião, não existia no real. 

E tudo que carregava, tal sejam, bornais, cartucheiras e lenços bordados e até uma máquina de costura, era o mesmo que substituir os modos cangaceiros pelos modos feminis. 

Afinal, o que estou fazendo aqui é a substituição dos modos do cangaceiro de forma análoga, ao que havia em seus desejos inconscientes. Contudo, seria realmente extraordinário se os desejos de Lampião houvessem sido apenas os de tornar-se uma costureira; ficou claro em sua composição ‘mulé rendeira’ que trocaria também os bilros pelas armas de fogo, para relembrar os sons das peças se tocando, para soarem como tiros. 

Usei o exemplo como forma de mostrar a derivação desse singular fenômeno fetichista no cangaceiro. Nenhuma pessoa familiarizada com os estudos psicanalíticos ficará surpreendida ao ler essas considerações feitas ao mais conhecido e temido cangaceiro Lampião; posso ter ultrapassado algumas opiniões de outros que já estudaram a matéria sem haverem empregado a mesma metodologia que eu utilizo e, por tal motivo, mantenho quase todos os meus pontos de vista, inalterados.

por Verluce Ferraz



A eficácia do método do estilista de Virgulino, o Lampião.

Para não ser apanhado pelas Volantes, Lampião criava seus próprios métodos, ora sendo caçador era incansável senhor do sertão, empreendendo longas viagens no lombo dos cavalos; enganava a todos que por suas pegadas procuravam nas pedras, nos matos quebrados e até nas fisionomias dos coiteiros.

Por onde passava ia deixando nuvens de fumaça, removendo restos de comidas, atravessava um pau nas bocas dos cachorros para os mesmos não latirem, tudo com bons resultados.

Outras, não relutava, e no mesmo atropelo, se desfazia dos problemas ou sentimentos continuando o seu passeio, aproveitando as oportunidades para dar expansão aos seus instintos sádicos.

Seus dons de estilista eram mostrados nas roupas, nas alpargatas, nas armas e no chapéu de abas quebradas para cima, moedas e estrelas eram pregadas. Exibia nos dedos, os anéis; no pescoço os trancelins de ouro, tudo roubado.

Os lenços usados no pescoço, em substituição as gravatas presas com argolas; as vestes e bornais eram bordados com sutache e sianinhas.

O sonho do cangaceiro era ser Governador do Sertão, para comandar o seu Estado, depois de dividir o Nordeste. A farda de capitão, que recebera de Floro Bartolomeu, era oficial das Forças Volantes, com todas insígnias dos militares de carreira, afinal, provocar era ‘uma singularidade no cangaceiro, que se intitulara de Capitão do Sertão’.

Recuperava facilmente objetos perdidos, confeccionava ele mesmo, os seus adornos, se fazia hóspede de comerciantes e fazendeiros, sem oferecer rosas nem amabilidade, apenas expondo suas armas e o seu silêncio, quem explodia eram as armas.

Todos os seus cangaceiros tinham a marca dele, do visual até as atitudes, compartilhavam todos dos sentimentos anti-sociais que regulavam o cangaço lampiônico.

Lampião refugiava-se ao reino do próprio delírio, como alguém já disse ‘hei de vingar’ ele nunca interrompeu o desejo de matar; impossível aplacar seu desejo e assim usa o nome do pai, insistindo que todos os por ele assassinados eram era a representação do pai; acabando por matar inúmeras pessoas, como se isso lhe restituísse a dignidade.

Verificamos que isso desce a um nível mais profundo, ao constatarmos que tudo vem de uma relação infantil, só explicada pelo desejo de matar o próprio pai, seu único rival.

Considera-se que o seu modo pessoal renasce de sua física aparência e estereótipo compartilhados com o desejo esquecido na infância de fazer renda.

Está na infância a fonte de suas fantasias, por isso é que usará tempos depois, todo seu acervo de impressões infantis.

O desenvolvimento de seus desejos será revelado subsequentemente, pelo uso de apetrechos e nos crimes perpetrados pelo cangaceiro, porque jamais morreu a sua relação infantil e ainda continuará nele atuantes.

por Verluce Ferraz

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