A FURNA DE LAMPIÃO E A DEGOLA DE LIVINO FERREIRA APÓS ENFRENTAR A VOLANTE DA PARAÍBA - CLÁUDIO ANDRÉ - O POETA

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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

A FURNA DE LAMPIÃO E A DEGOLA DE LIVINO FERREIRA APÓS ENFRENTAR A VOLANTE DA PARAÍBA

Depois de uma semana intensa de muitas atividades turísticas no sertão do Pajeú, encontramos um lugar indescritível e cheio de histórias populares, como essa da Furna de Lampião, já que serviu de esconderijo para o Virgulino e seus Cabras.

Numa temperatura de 35 graus, fomos percorrendo o solo arenoso da Fazenda São Gonçalo que está numa área de assentamento, em busca de muita história sobre a passagem de Lampião pelo município de Flores no sertão do Pajeú.

A serra Vermelha está a poucos quilômetros da rodovia BR-232 e as margens da Transnordestina. Foi por essas bandas que Lampião enfrentou a Volante da Paraíba que resultou na morte de Livino Ferreira, após longo tiroteio dentro da caatinga.

A Furna de Lampião fica no topo de uma serra encoberta por vegetação de caatinga. O buraco da rocha sedimentar foi resultado de uma erosão e que serviu de esconderijo para o maio cangaceiro do Brasil. Foi nessa furna que Lampião levou seu irmão Livino ferido à bala, que no final não escapou.

Foi com esses camaradas (Luiz de Puliça, Cosmo Queiroz e Luiz de Venerrê) que adentramos a caatinga em busca de histórias. Refizemos os passos de Lampião quando fugia depois de um confronto com a Volante da Paraíba no sertão do Pajeú.

Para chegar a um dos esconderijos de Lampião, atravessei com meu amigo e colega blogueiro, Cosmo Queiroz, a ferrovia Transnordestina (que está sem utilidade), para subirmos uma serra dentro da fazenda São Gonçalo de propriedade do senhor Damião Vieira da Silva. O mesmo local teve como nome  de Fazenda Riacho do Navio, que torno-se um assentamento comunitário.

O desafio não foi subir a serra Vermelha, mas enfrentar os 35 graus de temperatura, onde o famoso "mormaço" provoca uma grande fadiga. Diante disso tudo, andar pela Rota do Cangaço, dentro da caatinga, é uma experiência inesquecível.

Caatinga a dentro, ouvir muitas histórias e causos sobre a região, conviver com pessoas diferentes, é uma grande aula de história, cultura e de sobrevivência na caatinga.

Por essa região do município de Flores, próximo a divisa com Custódia, pudemos observar a escassez d'água. Praticamente não existe água no solo e quando trata de subsolo aí que não tem água mesmo, é uma situação de desertificação.

A boca da Furna de Lampião tem uma largura de 03 metros na parte mais alta e na parte baixa de apenas 1,5 metro. Dentro, a cavidade rochosa tem uns 05 metros de largura e uns 03 metros de altura. A furna serviu de esconderijo para Lampião e seus cangaceiros. Nessa época que Virgulino Ferreira andava pelo zona rural de Flores, ainda não tinha mulheres no Cangaço.

Cláudio André, Luiz Puliça e Luiz de Venerrê
Foi nessa furna que Lampião "arrastou nas costas", seu irmão Livino Ferreira com um grave ferimento na região das axilas (sovaco), após sofrer um tiro por um policial da Volante paraibana. Conta-se, que enquanto os cangaceiros da turma de Lampião fugiam para outra região da caatinga para confundir a Volante, Virgulino, pega um destino contrário para chegar no seu esconderijo, levando Livino ensaguentado. 
Tudo isso aconteceu à noite. E como eles acertavam as rotas? O costume diário de andar pelo meio do mato. Antes de qualquer ataque, Lampião, usava suas estratégias de fuga.

Se chegar na Furna de Lampião foi uma aventura, imagine percorrer caatinga e solos arenosos com um fuscão 1972, motor 1500, etc. A aventura foi ainda mais emocionante. Valeu por tudo que vivi aqui no sertão do Pajeú por uma semana.
Quero agradecer aos amigos novos e velhos que construí em Flores. Fiz um tour de 360 graus pelo município. Aos patrocinadores locais nosso muito OBRIGADO.




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Um comentário:

Roberto Almeida disse...

A MORTE DE LIVINO
O comandante das volantes nessa ação foi o bravo capitão José Caetano de Mello, que nasceu no distrito de Papagaio, Pesqueira, em julho de 1872, entrou na então Força Pública de Pernambuco em 1893 e que passou seus últimos dias em Angelim, onde veio a falecer e está sepultado. Dos vários combates de Zé Caetano com cangaceiros, este teve um de grande importância para a história do cangaço, pois resultou na morte de Livino, irmão de Lampião. Nesse fogo também um espinho de quipá estourou com um tiro e minou o olho direito de Virgulino, que já era doente. Sobre esse combate, o pesquisador João de Sousa Lima narrou que:

Em 4 de julho 1925 Lampião passou na fazenda Melancia, em Flores, Pernambuco. A visita de Lampião à roça aconteceu para ele dar uma lição em Zé Calú, acusado por José Josino de Gois, de manter relações sexuais com as filhas.Lampião prendeu no curral várias pessoas que passavam com destino a feira da cidade.
Virgulino ordenou que amarrassem Zé Calú pelos testículos, no esteio do telhado, com corda de couro trançado e os cangaceiros suspendiam o agonizante senhor que desmaiou de dor e assim escapou da morte certa.
Logo após esse castigo os feirantes anunciaram na cidade o que havia acontecido com Zé Calú e o delegado Vitoriano telegrafou para a cidade de Princesa Isabel pedindo reforços. De Princesa seguiu um caminhão com 16 soldados sob o comando dos sargentos José Guedes e Cícero de Oliveira.
Na localidade chamada Baixa do Tenório (sítio do coiteiro de Lampião, José Josino de Gois) houve um confronto e o sargento Cícero de Oliveira foi baleado e morto.
A tropa já havia sido destroçada pela súcia quando chegaram o capitão José Caetano, o tenente Higino Belarmino de Morais, o Nego Gino e os sargentos Mané Neto e Alípio. Eles tinham ouvido os tiros e seguiram para Flores onde foram informados pelo delegado sobre a passagem dos cangaceiros e a perseguição acontecida pelos soldados.
À frente das volantes ia o nazareno David Gomes Jurubeba e o combate foi inevitável. Os cangaceiros estavam próximos à casa de Generosa Teles.
David Gomes Jurubeba deixou o depoimento de que foi ele quem atirou em Lampião e a bala estraçalhou um pé de quipá e os minúsculos espinhos teriam cegado o olho direto de Lampião.
Enquanto Lampião agonizava com a vista ensanguentada, seu irmão Livino, próximo a um umbuzeiro foi baleado pela volante. Os cangaceiros bateram em retirada tirando o baleado do meio do tiroteio e depois mandaram chamar Generosa para cuidar do ferido. Livino não suportou o ferimento e morreu sendo enterrado em uma gruta.
Sabe-se que Pedro, filho de Espreciosa, mulher que cozinhava para Lampião, foi quem ajudou no tratamento de Livino e também em seu sepultamento e, tempos depois, retirou os ossos do irmão do Rei do cangaço e os enterrou em Conceição de Dentro, próximo a cova de José Paulo, primo dos Ferreira, esse assassinado por Clementino Quelé.
O velho umbuzeiro que viu o irmão de Lampião ser baleado e morto, ainda está lá, imponente, ao lado da cerca de madeira que representa a época. São dois robustos e emaranhados de quase mortas células vegetais enfincados no chão, como lembranças tétricas de cenas vividas no passado, onde o aço veloz, certeiro, dilacerante, rasgou as carnes, mortalmente, de um moço-homem que acompanhou seu irmão nas veredas incertas do cangaço.

*Junior Almeida, conselheiro do Instituto Cariri Cangaço do Brasil e membro Fundador da ABLAC - Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço.

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