DR. JOSÉ MARIA PEREIRA DE MELO PARTE II por Alexandre Tenório - CLÁUDIO ANDRÉ - O POETA

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

DR. JOSÉ MARIA PEREIRA DE MELO PARTE II por Alexandre Tenório

                       
COLUNA ENSAIO GERAL
DR. JOSÉ MARIA PEREIRA DE MELO PARTE II
A INJEÇÃO DE CÁLCIO
Em nossa cidade a rivalidade política sempre foi muito grande. Na época da UDN e PSD ela atingiu o ápice. A cidade era dividida em udenistas e pessedistas: os partidários do coronel Zé Abílio eram do PSD e os partidários do meu tio Gervásio Pires eram da UDN. 
Existiam dois comerciantes: um de remédio e outro de secos e molhados – ambos com os seus estabelecimentos localizados na Praça Dom Pedro II, ambos praticamente em frente um ao outro. 
Quase todos os dias, o da farmácia, que era udenista de carteirinha e se chamava Luiz Crespo, ficava na espera do dono da mercearia, que era Apolinário Tenório um pessedista doente, para conversarem sobre os mais diversos assuntos. 
Esse bate papo era religiosamente feito todos os dias, só era desfeito o trato de conversarem todos os dias quando, no dia anterior, eles abordavam o assunto política: ai as divergências eram grandes e terminavam brigando. Por um ou dois dias Apolinário deixava de ir à farmácia, mas logo esquecia a briga e voltava de novo o bate papo.
Certa feita estava os dois amigos num bate papo descontraído quando entra o vizinho da farmácia, amigo dos dois e também udenista fiel, Dr. José Maria Pereira de Melo. Pediu uma injeção de cálcio. 
O costume de tomar a injeção era pela crença de que a mesma deixava a pessoa mais forte. Luiz Crespo prepara a injeção e começa aplicar bem devagarzinho (pois ela tem de ser aplicada lentamente), só que quando a injeção está no meio, Apolinário diz algo que fere os udenistas. Nisto, Luiz Crespo pega ar. 
No alto da sua irritação, ele se esquece da injeção de cálcio e empurra com toda força o líquido em Dr. José Maria. Foi entrando a injeção e ele caindo duro. 
Quando Apolinário viu o que tinha acontecido, deu uma carreira para a sua mercearia que a perna batia na bunda; pensara que Dr. José Maria tinha batido as botas e que ele, indiretamente, tinha sido o responsável. 
Ficou do outro lado da praça, olhando o desfecho, enquanto na farmácia o experiente farmacêutico Luiz Crespo fazia tudo para reanimar Dr. José Maria. 
Vendo que não tinha êxito, colocou-o nas costas e o levou para sua casa, que era vizinha a sua farmácia. Entrou em casa com o desmaiado e o jogou na cama. Começou a massageá-lo até que, meia hora depois, ele retornou. 
Sendo um homem forte, resistiu à injeção de cálcio. Apolinário passou três dias sem dar às caras na farmácia. Luiz Crespo, sentindo falta do amigo, atravessa a praça e o pega no braço. 
Diz: venha, que eu preciso lhe responder aquela heresia contra a UDN, e saem os dois sorrindo e comentando o ocorrido. Dias depois, perguntado ao filósofo Basto de Sá se ele tinha visto a discussão e o ocorrido, ele diz, que não tinha visto a discussão, pois estava distante do ocorrido, diz que viu quando Luiz Crespo saíra da farmácia com Dr. José Maria nas costas e que a cena parecia à fotografia do elixir de Scott, aquele que tem na embalagem um homem carregando um bacalhau enorme nas costas.
Assim era a política de nossa cidade: embora as divergências fossem muitas, sempre terminavam em paz as eleições, pois no contexto final todos eram compadres, parentes e amigos.
Quanto a Dr. José Maria: nunca mais quis tomar injeção de cálcio quando Apolinário estava na farmácia.
Na próxima semana tem a continuação.

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